Qual melhor substrato para nosso aquário marinho?

Publicado: outubro 21, 2010 em Aquarismo

Quantos de nós já não nos deparamos com a incerteza na escolha do substrato para a montagem de nosso aquário marinho? Será que usarei halimeda ou aragonita? Substrato fino ou grosso?

Neste artigo estarei falando um pouco sobre os diferentes tipos de substrato que podem ser utilizados na montagem de um aquário marinho, suas vantagens e desvantagens, diferenças na composição química e granulometria.

Os Substratos

Aragonita: A aragonita é uma da formas cristalizadas encontradas do CaCO3 (carbonato de cálcio), possui estrutura ortorrômbica e é mais instável do que a calcita, a outra forma de cristalização do CaCO3. Tal instabilidade faz com que esta seja mais solúvel, o que promove grande poder alcalinizante, ajudando também na reposição de cálcio e carbonatos. A aragonita pode ser encontrada na natureza principalmente na estrutura de esqueletos de animais (peixes, corais, etc.) e nas conchas de moluscos em diferentes granulometrias. Possui preço mais elevado, mas sem dúvida é o melhor tipo de substrato para nossos aquários.

Calcita: A calcita é a forma de cristalização do CaCO3 mais encontrada na natureza por ser a forma mais estável, possui estrutura trigonal, e devido a sua alta estabilidade possui uma capacidade de alcalinização, reposição de cálcio e carbonatos não tão eficientes quanto à aragonita, mas é algo que não é preocupante uma vez que a maioria dos aquaristas se utiliza de alguma forma de reposição de cálcio e carbonatos. Pode ser adquirida em diferentes granulometrias e possui custo baixo. Existem relatos de que a calcita principalmente em granulometrias finas tende a escurecer com o decorrer do tempo deixando o aquário com um aspecto “sujo”.

Halimeda: A halimeda é uma macro alga marinha que possui em seu interior um esqueleto calcáreo. Quando esta morre, tudo o que sobra é seu esqueleto, chegando a formar grandes bancos de halimeda em algumas regiões. Seu esqueleto é composto basicamente de CaCO3 em algumas variações de proporção entre aragonita e calcita. Este tipo de substrato é bastante usado em montagens de aquários, principalmente pelo seu baixo custo. Por ser formada basicamente de carbonato de cálcio em quantidades razoáveis de aragonita possui um bom poder alcalinizante e é um bom substrato para aqueles que pretendem adquirir um bom substrato a um baixo custo.

Dolomita: A dolomita [CaMg(CO3)2] é um mineral composto basicamente por carbonatos de cálcio e magnésio, bastante utilizada em ornamentação pode ser encontrada tanto na forma de pedras como de cascalho. A dolomita é um mineral pouco utilizado no aquarismo, seu aspecto é pouco natural e corre-se o risco de haver uma dissolução de magnésio na água maior do que o necessário podendo acarretar em sérios problemas. Não é um substrato indicado para aquários marinhos.

Areia de Praia: A areia de praia normalmente é tida como o substrato com o aspecto mais natural para nossos aquários, mas não é verdade, sendo que está presente em sua maioria nas praias e não no fundo dos recifes. A areia de praia é formada principalmente de cristais de quartzo (SiO2), e embora esteja comprovado que a sílica presente nestes cristais não se dissolve na água do aquário o mesmo não é indicado como um bom substrato, uma vez que este não possui nenhum poder alcalinizante podendo acarretar em problemas na manutenção da reserva alcalina e grandes variações do pH do aquário.

Granulometria

Outra dúvida muito comum na montagem do substrato é quanto a sua granulometria. O que devemos ter em mente é que mais do que um simples aspecto estético, diferentes granulometrias para o substrato acarretam diferentes conseqüências para o aquário.
A escolha de um substrato fino acarretará numa menor separação entre os grãos, fazendo com que este seja mais compacto. Tal característica favorece a criação de uma região anóxica na parte inferior do substrato com uma menor altura do mesmo, sendo assim excelente para a criação de um sistema denitrificante. Por outro lado substratos finos por serem mais leves podem ser mais facilmente revolvidos pela circulação do aquário e demoram a assentar.
Quando escolhemos um substrato mais grosso estamos aumentando a área livre entre os grãos, fazendo com que este seja menos compacto, deste modo temos uma maior facilidade de circulação de água pelo substrato e desfavorecendo assim a criação de uma região anóxica na camada inferior, e para contornar tal problema devemos aumentar a altura do substrato. No entanto a maior separação entre os grãos favorece e muito a proliferação da micro fauna presente no substrato uma vez que ela tem maior capacidade de penetração no substrato menos compacto.
Nada impede que utilizemos diferentes granulometrias na formação do substrato e podemos desta forma aliar o melhor dos dois mundos, utilizando um substrato de granulometria fina na região inferior e uma camada superficial de espessura entre 2 a 4 centímetros de um substrato de granulometria mais grossa. Desta forma estaremos provendo um substrato com uma boa capacidade de denitrificação e de manutenção de micro fauna bêntica.

Conclusão

Podemos concluir desta forma que mais do que meramente estético o substrato exerce um papel importante no aquário e, portanto deve ser montado de maneira consciente, para que desta forma não tenhamos problemas futuros e asseguremos a estabilidade do aquário

 

Créditos: Armando Travaglia

Now Playing: Planet Hemp – Dig Dig Dig (Hempa).

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